Sistema de Submissão de Resumos, I Encontro de Iniciação Científica - 2011 (ENCERRADO)

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ESTUDO DE VARIABILIDADE CLIMÁTICA APLICADO AO REGIME DE VAZÃO DE RIOS SOBRE O TERRITÓRIO BRASILEIRO
Andrea Oliveira Cardoso, Caluan Rodrigues Capozzoli

Última alteração: 2011-09-09

Resumo


Introdução: No Brasil, os recursos hídricos são utilizados por importantes atividades econômicas e para o consumo humano, sendo importante conhecer sua variabilidade.O regime de vazão dos rios é influenciado por diversos fatores, destacando-se a precipitação que ocorre diretamente sobre o rio e sua bacia de contribuição. São encontrados na literatura trabalhos que indicam a relação entre os fenômenos climáticos El Niño/La Niña e a variação da vazão dos rios em diversas bacias brasileiras (Dettinger et al ,2000).Objetivos:Este trabalho tem como objetivo identificar as principais flutuações climáticas que influenciam o regime de vazão dos rios no território brasileiros. Metodologia:Foram utilizados dados históricos mensais de vazão de rios, de 1931 a 2008, disponibilizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. A análise de componentes principais foi aplicada ao conjunto de dados de vazão (previamente padronizados pela média e desvio padrão para remoção do ciclo sazonal), obtendo poucas combinações lineares com a maior parte da variância original (Weare e Nasstrom, 1982).Resultados: Os cinco primeiros modos obtidos explicam mais de 77% da variância original dos dados. No caso do primeiro (34% da variância) é destacada a faixa norte da bacia do Paraná. A série temporal apresenta ciclos interanuais, com um pico em 1983, semelhante ao verificado em episódios El Niño Oscilação Sul (ENOS). O segundo modo, explicando 23% da variância, também apresenta ciclos interanuais, destacando o Sul do Brasil. Eventos ENOS podem apresentar diferenças no padrão espacial ao longo de suas fases (Weare e Nasstrom, 1982), sendo sugerido que suas diferentes fases possam afetar vazões em regiões distintas. Apresentando flutuações interanuais e interdecadais, o terceiro modo destaca um tripolo com coeficientes negativos(positivos) sobre o Sul e parte do Brasil central (Leste do Sudeste). Tal padrão pode estar relacionado ao posicionamento da Zona de Convergência do Atlântico Sul e explica 9% da variância. O quarto e o quinto modo (variância explicada de aproximadamente 5%) apresentam uma mudança no padrão temporal a partir da década de 70, sendo mais marcante no primeiro caso. Um dipolo entre o norte do Sudeste e o Centro-Oeste é destacado no quarto modo e um padrão de tripolo sobre o Sul do Brasil, aparece no quinto modo. Este último também apresenta uma tendência positiva de vazão, que pode estar relacionada à Oscilação Decadal do Pacífico, igualmente ao quarto modo, ou a fatores locais, como o uso inadequado da terra e alteração dos sistemas hídricos (Tucci, 2004).