Sistema de Submissão de Resumos, I Encontro de Iniciação Científica - 2011 (ENCERRADO)

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Sonhadores e não-sonhadores: onde a memória encontra os sonhos
Mariana Guerra Garcia, Ruth Ferreira Santos-Galduróz, Daniel Ribas Cardoso, Lucas Muniz Relvas, Priscila Aguiar Araújo, Anderson Souza Gomes, Paula Ayako Tiba

Última alteração: 2011-09-09

Resumo


Introdução

O sono é um processo fisiológico complexo do qual se conhece muito da fisiologia e menos da sua função. Apesar de intuitivamente pensarmos que os sonhos poderiam ter papel fundamental nos processos cognitivos (vários são os relatos de “insights” ocorrendo durante os sonhos, por exemplo), a literatura científica neste campo é bastante reduzida. Este fato deve-se, provavelmente, ao fato de que, ao contrário do sono, os sonhos são dificilmente mensuráveis e manipuláveis. No entanto, existe uma parte da população que relata não sonhar ou sonhar muito pouco.

Objetivos

Como não é possível afirmar que estes indivíduos não sonham ou se eles apenas não se lembram, a abordagem inicial desse projeto foi investigar se existe algum padrão comportamental nos parâmetros de sono ou em processos cognitivos que pudesse justificar tal diferença.

Metodologia

Desta forma, neste estudo preliminar, caracterizamos não-sonhadores (leia-se indivíduos que relatam não sonhar) e sonhadores com relação a aspectos psicológicos, cognitivos e comportamentais através de uma seleção de testes e questionários envolvendo qualidade de vida, qualidade do sono, sonhos, memória, estresse, ansiedade, motricidade e personalidade.

Resultados

O efeito grupo foi significativo para estresse e motricidade, sendo maior em ambos os parâmetros para o grupo sonhador, mas não foi significativo para os processos mnemônicos.

Conclusão

O fato de os sonhadores apresentarem-se estressados pode corroborar a teoria de simulação de ameaça nos sonhos. Essa teoria afirma que a consciência dos sonhos é a capacidade de simular eventos ameaçadores, de forma a ensaiar os mecanismos cognitivos necessários para perceber e evitar ameaças eficientemente. Dada a dificuldade de encontrar voluntários no ambiente universitário pesquisado, o número de indivíduos no estudo bem como sua distribuição desigual nas classificações sonhador e não-sonhador, os dados apresentados devem ser tratados com cautela, mas estes indicam que existe relevância estatística para diferenças entre sonhadores e não-sonhadores e a pesquisa nessa área é promissora.