Sistema de Submissão de Resumos, I Encontro de Iniciação Científica - 2011 (ENCERRADO)

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Papéis de gênero na visão de jovens rapazes: uma análise comparativa entre dois grupos religiosos distintos
Alexandre Soares Cavalcante, Ana Keila Mosca Pinezi

Última alteração: 2011-09-13

Resumo


Partindo da noção de que os processos de laicização e cientificização do mundo não esvaziaram a presença e importância do universo religioso para diversos grupos, esta pesquisa buscou compreender como a religião serve de mediadora para construção de identidades e papéis de gênero. O conceito de identidade trabalho lida com o processo de construção da noção do eu dos indivíduos em uma situação de coletividade. Objetivou-se observar e analisar como se constroem as identidades de jovens rapazes de duas denominações religiosas diferentes, uma neopentecostal (Igreja Universal do Reino de Deus - IURD) e outra espírita kardecista.

Postulou-se que o gênero, enquanto categoria de análise, associa-se a outros elementos para formulação da visão de mundo e identificação entre esses jovens, desenvolvendo um referencial plural de identificação de si e dos grupos sociais a que pertencem.

A pesquisa embasou-se no arcabouço teórico-metodológico da Antropologia. Buscou-se etnografar dois grupos jovens, um de cada denominação religiosa supracitada, situados na região do ABC paulista. Além da observação participante, foram realizadas entrevistas abertas com membros.

As questões de gênero aparecem de maneira similar entre os dois grupos: pautada por aspectos da biologia, a dicotomia homem/mulher baseada no sexo biológico tem influências nas formas como os gêneros se relacionam com o fazer religioso.

Na IURD, mulheres ascendem somente ao posto de obreiras, enquanto os homens chegam a pastores e bispos. Durante as dinâmicas congregacionais predomina a noção de que o homem possui maior capital simbólico para lidar com aspectos religiosos, tais como expulsão de demônios ou organização da dinâmica do culto. Resta às mulheres maior preocupação com a busca da conversão familiar, além de predominar a noção de que é mais forte para lidar com adversidades religiosas.

O caso espírita parece seguir a mesma linha. As mulheres predominantemente têm papel ativo com relação às práticas e morais carismáticas, relativas à ética espírita. Os homens têm predominância na liderança da doutrina espírita em seu caráter mais científico, com relação ao estudo das crenças, das verdades espíritas.

Percebe-se, por fim, que embora discursivamente excludentes, as práticas e visões que imperam nos imaginários dos jovens espíritas e iurdianos não possuem tantas diferenças como se poderia pensar. No entanto, os significados e as nuances que fazem deles singulares é o que dará forma à inteligibilidade dos processos de identificação enquanto jovens, homens e religiosos.