Sistema de Submissão de Resumos, I Encontro de Iniciação Científica - 2011 (ENCERRADO)

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ABC: EM BUSCA DE UMA REGIONALIDADE
Eduardo Galvão Lernic, Terezinha Ferrari

Última alteração: 2011-09-20

Resumo


           O trabalho iniciou como uma recuperação dos materiais dos
congressos de história do ABC. A análise destes levantou uma dúvida: porque
o ABC é considerado uma região? Quais os elementos os congressistas
levantariam para sustentar a ideia de região? Daí, surge a problemática de
nosso trabalho:“existem subsídios para caracterizar o ABC como uma
região?”. Para nortear nossa pesquisa, pautou-se as áreas da Geografia e da
História, nas quais são, frequentemente, discutidas e conceituadas uma
regionalidade, além de conferirmos às intervenções econômicas, políticas e
culturais em diversos níveis a busca ou caracterização de uma
regionalidade.
           Para que a análise não ficasse restringida a reproduzir estas
pressuposições, contextualizamos o conteúdo dos congressos com textos
elaborados por críticos da regionalidade – em especial do ABC –, e fomos a
campo, elaborando entrevistas com acadêmicos e autoridades políticas. Nesse
ínterim, nos deparamos com o estudo da professora Cecília Cardoso Teixeira
de Almeida, docente no Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA).
Segundo ela, “as motivações (de sustentar o ABC como região) se encontram
sobre questões ideológicas e estratégias políticas na competição pelo
domínio público”.
            Em contraposição, encontramos Luiz Roberto Alves, coordenador
da cátedra de regionalidade da universidade metodista de São Paulo (Umesp),
que afirma a existência da região do ABC “como um bloco social e econômico
desde os anos 1950 – porque aqui foram instaladas as grandes montadoras.
Temos um sentido geográfico e econômico concomitante na região”.
            Outra fala interessante pertence à professora Ana Claudia
Marques Govatto, docente na Universidade São Caetano do Sul (USCS). Em seu
artigo, intitulado “O ABC paulista vai virar Grande ABC?”, ela afirma que o
“Grande ABC pode ser visto (e valorizado) como uma marca, assim como os
produtos e serviços que possui”. Ana Claudia não define ou incorpora um
regionalismo no ABC. No entanto, elabora uma série de maneiras que pautam
uma regionalidade embasada na mercadorização da chamada região,
transformando-a, a partir de uma série de medidas burocráticas.
            Diversas maneiras podem caracterizar o ABC como região. No
entanto, o questionamento geral da pesquisa vai na direção da ausência de
referências pautadas nas relações sociais dos indivíduos ativos. Ainda é
pertinente averiguar se para o cidadão comum no seu cotidiano há ou não
indicativa do fato de ele viver em uma específica região do ABC? No
decorrer deste projeto, tentamos analisar a existência ou não destas
particularidades.